Olhão
Lendas
Lenda de Marim |
Lenda da Floripes |
Lenda do Mouro Encantado |
Lenda do Menino dos Olhos Grandes
| Lenda do Arraúl
Na zona de Marim, havia um bonito e luxuoso palácio, onde
vivia uma jovem de nome Alina, por quem um trovador chamara Abdalá se tinha
apaixonado. Abdalá todas as noites ia cantar lindas trovas junto da sua amada.
O pai de Alina, farto da situação, chamou-o e promete-lhe a
mão da filha, caso conseguisse trazer para junto do palácio, numa só noite, a
fonte do rio, localizada a 13 léguas de distância.
O rapaz parte com ar pensativo. O pai fica mais descansado
pois acha que finalmente conseguiu afastar os dois.
Na noite seguinte o rapaz não apareceria, o que entristeceu
Alina. Era já de madrugada, quando se ouve um som de alaúde. Era o rapaz! E
junto dele uma enorme fonte. Enraivecido, o pai, atira a filha pela janela, esta
vem cair junto do seu amor, e juntos partem pelo ribeiro abaixo…
Lá para os lados do Bairro do Levante, no lugar do Sobrado,
havia um moinho, junto ao qual, existia uma antiga casa onde vivia um homem de
meia-idade, de seu nome Zé. Quase sempre embriagado, principalmente na companhia
de amigos, contava varias vezes, que durante a noite, lhe aparecia uma moura
muito formosa em sua casa e que ambos trocavam caricias ate madrugada.
Os seus amigos já não acreditavam, um dia Zé, fez uma
aposta com o mais novo do grupo – Julião – que ia casar em breve com uma moça
chamada Aninhas. Zé oferecia uma fazenda que possuía no sítio da Relva, como
prenda de noivado caso a moura aparecesse ao rapaz. Se não aparecesse, nada lhe
daria. Julião aceitou.
À meia-noite la estava ele junto ao moinho. De repente,
quando já se preparava para por o caminho, vê uma linda mulher. Era a moura
encantada! Julião e a rapariga sentaram-se junto a uma árvore, e esta conta-lhe
que o feitiço só poderá ser quebrado quando alguém a levasse pra junto do mar, e
lhe espetasse uma faca no braço do lado do coração. Só ai o feitiço seria
levantado. Julião nada podia fazer, pois estava comprometido com Aninhas.
Um pescador chamado Manuel Caleça, ainda jovem, estava na
brincadeira com mais uns amigos na rua, quando se aproximou um rapaz que quis
brincar com o grupo. Todos concordaram contudo, este tinha pouco jeito para a
brincadeira; vendo isso Manuel, faz-lhe um reparo.
O jovem propõe que Manuel o acompanhe para irem brincar
para outro lado. Chegados ao local, o misterioso rapaz abre um alçapão. Lá em
baixo, Manel vê surgir um enorme palácio repleto de riqueza que o levam ao
desespero.
O rapaz consolou-o, dizendo-lhe que levaria para junto dos
pais, e que o acompanharia durante a sua vida, mas só ele poderia ver, pois
sofria de um encantamento. E assim foi. Ate ao dia em que sua mãe o leva á missa
para comungar e confessar.
Desde essa altura, Manuel, nunca mais sentiu a presença do
amigo de que tanto gostava…
Lenda do Menino dos Olhos Grandes
Em noites escuras, diz-se que la para os lados da Barreta,
aparecia aos pescadores um menino muito robusto, vestido só de camisa com
grandes olhos pretos.
Como chorava muito e nada dizia, os pescadores, com pena da
criança, pegavam-na ao colo.
Mas o peso desta ia aumentando, á medida que andavam,
acabando por ser deixada a chorar no chão.
Ao longo dos anos apareceu um pouco por toda a Barreta. Um
dia, porem, o menino deixou de aparecer.
Diz o povo, que a Moura Floripes quando embarcou para as
terras do Norte se Africa levou-o consigo…
Arraúl era um belo, filho do guarda-mor das Colunas de
Hércules, único sobrevivente da Atlântida.
Certo dia, Arraúl foi apanhado por uma tormenta que o
arrastou para o oceano profundo onde uma baleia o engole.
Apesar do infortúnio, o jovem sobrevive, pois a baleia
deposita-o em terra firme no sítio das prainhas – local onde se diz que começou
Olhão.
Arraúl, imediatamente se apaixona pelo lugar e tenta
protege-lo construindo uma enorme barreira de areia, com terras provenientes dos
serros de São Miguel e da Cabeça, dando assim origem à formação das Ilhas
Barreira da Ria Formosa.