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O cacaueiro, de nome científico Theobroma cacao,
é uma planta nativa de uma região que vai do
México, passando pela América Central, até à
região tropical da América do Sul, que vem sendo
cultivada desde há pelo menos três mil anos na
região. Os primeiros registos de seu uso datam
do período olmeca. No entanto, existem
evidências que indicam cultivo anterior a esse
período. Desde a sua domesticação, o cacau é
usado como bebida e, depois, como ingrediente
para alimentos. Durante a civilização maia, era
cultivado e, a partir de suas sementes, era
feita uma bebida amarga chamada xocoatl,
geralmente temperada com baunilha e pimenta. O
xocoatl, acreditava-se, combatia o cansaço, além
de ser afrodisíaco.
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Alguns dos vestígios mais antigos de uma
plantação de cacau foram datados de 1100 a 1 400
a.C., tendo sido encontrados em Puerto
Escondido, localidade do Departamento de Cortés,
em Honduras. Pelo tipo de recipientes
encontrados e pela análise de seu conteúdo,
concluiu-se que eram usados para produzir uma
bebida alcoólica pela fermentação dos açúcares
contidos na polpa que envolve os grãos, bebida
essa que continua a ser feita até hoje em partes
da América Latina. Resíduos de chocolate
encontrados numa peça de cerâmica maia de Rio
Azul, na Guatemala, sugerem que já era utilizado
como bebida por volta do ano 400 d.C. Documentos
maias e astecas relatam que o chocolate era
usado tanto para fins cerimoniais como no
cotidiano, sendo, no entanto, consumido apenas
pela elite.
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Por suas reconhecidas propriedades e sua difusão
regional, o cacau ganhou grande importância
econômica na Mesoamérica na era pré-colombiana.
Os Maias usavam os grãos como moeda. Dez favas
valiam um coelho e por 100 favas de primeira
qualidade adquiria-se um escravo. Durante o
Império asteca (1325 a 1521 dC), sementes de
cacau eram uma forma importante de divisas e
meio de pagamento de tributos. Um dos principais
objetivos da expansão imperial dos Astecas na
direção sudeste, durante o século XV, havia sido
o de controlar as regiões produtoras de cacau no
Istmo de Tehuantepec e no litoral sul da
Guatemala. Diz um cronista quinhentista que os
armazéns de Montezuma II, em Tenochtitlan,
continham mais de 40 mil cargas de amêndoas de
cacau, algo estimado em torno de 1 200
toneladas. Grande parte desse tesouro
destinava-se a pagar o soldo dos guerreiros e
também alimentá-los: Bernal Diaz, o soldado de
Cortés e narrador da conquista, informou que
somente a guarda do palácio consumia diariamente
mais de 2 000 taças da bebidas. Seu uso como
meio de pagamento continuou até ao século XX,
pois em algumas partes da América Central, o
cacau ainda era usado como dinheiro.
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